A Creche Amadeu Barros Leal nasceu com uma grande missão:
Prestar assistência social e educacional a crianças carentes,
na faixa etária de 0 a 4 anos de idade.

Missão

A Creche Amadeu Barros Leal é uma entidade civil sem fins lucrativos e de natureza filantrópica, construída em terreno cedido em comodato pelo Instituto Bom Pastor, ao lado do antigo presídio feminino Desembargadora Auri Moura Costa.

Sua missão é prestar assistência social e educacional a crianças carentes, na faixa etária de 0 a 4 anos incompletos. Durante os seus primeiros 8 anos foi reservada exclusivamente a filhos de presos, de forma a ajuda-los a quebrar o estigma e a exclusão que frequentemente acometem essas crianças e acabam por lhes retirar a possibilidade de um futuro digno. Com a construção de uma nova penitenciária para mulheres, fora do perímetro urbano, a Creche diversificou sua clientela e passou a receber, igualmente, crianças das áreas circunvizinhas.

Única creche com este perfil no Brasil, a Creche Amadeu Barros Leal é um extraordinário exemplo de participação cidadã, que está de portas abertas para a visita de quantos queiram colaborar ou apenas conhecer um pouco mais de sua história e de seu quotidiano.

História

A história da creche é traçada por um de seus fundadores, César Barros Leal, que na condição de professor de “Direito do Menor” da Universidade Federal do Ceará e da Universidade de Fortaleza visitava com regularidade, na companhia de seus alunos, instituições que atuavam na área de assistência à infância desvalida.

A cada semestre era eleita uma entidade, governamental ou não, que o professor e seus alunos visitavam a fim de identificar suas carências e nortear as compras que eram efetuadas com a contribuição individual dos estudantes. A entrega era sempre o pretexto para uma festa junina ou natalina, de conformidade com o período das aulas.

Essas ocasiões levavam a manifestação de reconhecimento dos dirigentes das instituições que recebiam, efusivamente, toalhas, lençóis, fraldas, roupas de cama, pratos, talheres, panelas, vassouras, eletrodomésticos e até equipamentos de lazer, quando à parcela arrecadada pelos alunos se agregavam doações excepcionalmente generosas de terceiros.

Crechce Amadeu Barros Leal, Fortaleza.

Assim foi durante muitos anos até que, concluiu, havia chegado o momento de concretizar algo mais duradouro. Nessa época o Doutor César Barros Leal era também professor de “Direito Penitenciário” e “Direito do Menor” na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, e foi dele a iniciativa de lançar a semente de uma creche sem fins lucrativos, que se destinaria exclusivamente a filhos de presidiárias.

Essa seria, como efetivamente o foi, a primeira e única creche não institucional do país para filhos de mulheres encarceradas. A ideia foi acatada entusiasticamente por alunos e colegas, e por dois anos letivos foram eleitos tesoureiros que recolhiam em cada turma mensalidades, depositadas em seguida numa conta de poupança aberta com esse fim específico na Caixa Econômica Federal.

De forma a complementar o apoio oferecido pelos alunos e colaboradores, foram realizadas também festas dançantes, bingos, rifas e toda sorte de promoções com o fim de angariar recursos. Dentre eles, um Show Beneficente levado a efeito no Círculo Militar, e que estimulou a todos a alçar vôos na busca de recursos para a viabilização do projeto.

Pouco a pouco, uma soma razoável foi obtida dessa forma, e o amadurecimento do projeto conduziu ao entendimento de que convinha formalizar a entidade. Foram então redigidos seus estatutos, que na sequência foram registrados em cartório e nas repartições pertinentes.

Creche. História e missão.

No dia 18 de setembro de 1987, por iniciativa do Doutor César, foi organizado um encontro entre amigos na sede da OAB/Ceará. Dentre eles estavam sua esposa, Ivana, seu sogro Ivon Tomé de Souza, seus irmãos VladimirRegina e Heloisa; o Procurador do Município Meirielson F. Rocha e sua esposa Ana; o Professor Paulo Amorim Cardoso; o Procurador da Justiça Militar Nelson Arruda Senra; o Des. José Maria Melo; os médicos Silas Munguba e Francisco Sérgio Pinheiro Regadas; a Dra. Ivaldy; Antenor Barros Leal, sua esposa Amélia e sua filha Maria Amélia; e o então vereador Samuel Braga. Foi-lhes pedido o concurso para seguir adiante com o projeto da Creche.

Logo depois, no exercício da função de Subsecretário de Justiça, no governo do Dr. Ciro Ferreira Gomes, Doutor César recebeu em seu gabinete a Dra. Enoe Araripe Autran, Diretora do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa, que lhe confidenciou ter o mesmo desejo: criar uma associação de amparo a criancinhas pobres.

Esta ficou surpresa com a notícia de que já havia um projeto bastante avançado nessa direção, e ali mesmo ficou decidido que congregariam seus esforços. Ambos solicitaram uma audiência com a Dra. Patrícia S. F. Gomes, que, na condição de primeira dama do Estado, os ouviu atentamente e se dispôs a obter um financiamento. Também contaram com o apoio precioso da Dra. Fátima Catunda, então Secretária do Trabalho e Ação Social; da Dra. Tânia Nobre, Presidente da FEBEMCE; e do Dr. Antonio L. Tavares, Secretário de Justiça.

Nessa época o principal desafio do projeto era a aquisição de um terreno e de um projeto de obra. Junto ao Instituto Bom Pastor obteve-se uma ampla área ao lado do IPF, em regime de comodato. Foram convocamos, em seguida, engenheiros e arquitetos para a elaboração da planta, em consonância com o modelo de um estabelecimento similar que o Doutor César visitara anos antes em Havana, Cuba.

No lugar onde antes era a pocilga do cárcere, assistiu-se à edificação gradual do prédio, orçado em Cr$ 12 milhões, e que contou com a importância recolhida na CEF. Outros Cr$ 600 mil foram empregados na aquisição de equipamentos. Era a materialização de um sonho.

No dia 20 de dezembro de 1993, com a presença de um número significativo de pessoas, inaugurava-se a Creche Amadeu Barros Leal, uma sociedade civil de natureza filantrópica, com prazo de duração indeterminado, tendo por finalidade estatutária prestar assistência social e educacional a crianças carentes de 0 a 6 anos (era a idade das crianças então atendidas; só depois se alterou a faixa etária).

A homenagem ao advogado cearense Amadeu Barros Leal se justifica maiormente por sua obra de amparo ao menor abandonado, descrita em seu livro “Prometo não Ficar Calado”.

Nos sete primeiros anos a Creche funcionou em regime de internato, como se fora um abrigo, atendendo tão-somente aos filhos de detentas do IPF e de funcionários do centro penitenciário. No início era uma clientela diminuta, pouco mais de vinte crianças.

Anos depois, com a transferência da sede do presídio feminino, foi preciso diversificar a clientela e a Diretoria da Creche decidiu abri-la igualmente para a comunidade. Era o princípio de um novo tempo. Hoje são mais de cem crianças que atendemos, de ambos os sexos, metade das quais corresponde a filhos de reclusos.

O sonho continua. Não obstante as profundas dificuldades vivenciadas ao longo dos anos, em nenhum instante a chama se apagou. Ao revés. De cada óbice, de cada adversidade extraem-se ânimo e inspiração para renovar nossa confiança e nossa capacidade de sorrir e superar obstáculos.

Estatuto da Creche

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